Quarta-feira, 27.01.10

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Terça-feira, 26.01.10

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Segunda-feira, 25.01.10

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in VOLOVITCH-TAVARES, Marie-Christine, Portugais à Champigny, le temps des baraques, Paris, Autremernt, 1995, pp.10/11

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Sexta-feira, 22.01.10

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O já célebre padre Loreno pediu aos fiéis que não votassem nos partidos que defendem o casamento entre homossexuais, uma vez que a Igreja é contra o casamento entre homossexuais. Mas o padre Loreno não pediu aos fiéis que não votassem nos partidos que defenderam a guerra, embora a Igreja tenha sido, também, contra a guerra. O padre Loreno teve, pois, de optar. E, entre a guerra e o casamento entre homossexuais, optou por condenar o mais pernicioso. Isto significa, evidentemente, que o padre Loreno prefere que dois homens se matem do que se casem.

Vamos supor que um paroquiano se abeira do padre Loreno com a seguinte inquietação:

Paroquiano: Ó padre Loreno, eu sinto qualquer coisa aqui pelo Amílcar mas ainda não consegui perceber o que é. Umas vezes, apetece-me casar com ele; outras vezes, dá-me vontade de o abater a tiro com esta G3. O que hei-de fazer?

Padre Loreno: É melhor optares pela segunda, meu filho, que é mais conforme à lei de Cristo.

Paroquiano: Pois, era a ideia que eu tinha. Porque eu, casando-me com ele, era bem capaz de o amar pela vida fora, e tal.

Padre Loreno: Ui. Que horror, meu filho. Não queremos cá nada disso.

E fica o problema resolvido.

Confesso que sou dos que acham que, se os homossexuais quiserem casar, devem poder fazê-lo. E acredito que, um dia, isso vai ser possível. Nessa altura, quando o casamento entre homossexuais for já uma instituição contra a qual nada há a fazer, o padre Loreno estará metido em sarilhos. Filosoficamente falando, claro. Que dirá ele, então? Condenará o divórcio ou apoiá-lo-á, porque se desfaz um lar homossexual – e a Igreja condena a homossexualidade? Dilemas.

Por Ricardo Araújo Pereira (In Boca do Inferno, revista Visão, nº 624)

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Sexta-feira, 15.01.10

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Segunda-feira, 11.01.10

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Notícias da saúde
Por Jorge Simões (Público, 11.01.2010)

O grande desafio é o de encontrar a combinação virtuosa entre a melhoria dos níveis de saúde e as reformas necessárias


Foi publicado há dias pela OCDE o panorama da saúde nos países desta organização, utilizando informação até 2007. Alguns jornais portugueses sublinharam o bom desempenho das contas da saúde no nosso país na década de 1997-2007, quer em relação aos gastos per capita (2150 dólares, para uma média de 2984), quer ao crescimento dos gastos com a saúde no mesmo período (2,9 por cento de crescimento anual, para uma média de 4,1 por cento).

Sim, são boas notícias, porque os gastos com a saúde devem atender ao crescimento (positivo ou negativo) da riqueza do país e à sua situação financeira. Desengane-se quem pensar que a saúde é um sector autónomo, independente da capacidade que um país tem de angariar receitas para pagar as despesas da saúde. Esta afirmação ainda é mais incisiva para países com um serviço nacional de saúde, ou seja, onde o Estado assume um papel central no financiamento e na prestação dos cuidados de saúde, como é o caso de Portugal.

Portanto, são boas notícias para o Serviço Nacional de Saúde (SNS), que pode ser defendido por muitas formas, mas uma das mais importantes é fazer com que o crescimento dos gastos não torne incomportável a manutenção do SNS como serviço universal, ou seja, para todos os cidadãos, e tendencialmente gratuito.

Mas as melhores notícias situam-se fora do âmbito financeiro. Na União Europeia, só três países apresentaram, em 2006, melhores resultados do que Portugal em relação à mortalidade infantil. E quando visitamos o nosso passado, podemos comparar o último valor conhecido (3,3 mortes por 1000 nados vivos, em 2006, para uma média comunitária de 4,0) com o valor de 1970 (55,5 mortes, em Portugal, para uma média comunitária de 24,3). Esta situação é também apontada pela Organização Mundial de Saúde como excepcional, sendo Portugal um dos poucos países do mundo onde as taxas de mortalidade em crianças com menos de cinco anos se situam agora em menos de um quinto do que estavam há trinta anos.

Mesmo em indicadores em que tradicionalmente estamos menos, bem como é o caso da esperança de vida à nascença, o valor de 2006 (78,9 anos) já é melhor do que a média comunitária (78,8); vivemos hoje, em média, mais 12 anos do que em 1970.

Mas os bons resultados na saúde não nos podem fazer esquecer a nossa principal debilidade: as desigualdades no acesso aos cuidados de saúde.

E as desigualdades em saúde podem-se agravar em consequência da crise económica sentida, em especial, desde o final de 2008; a situação económica e financeira do país não só pode limitar a afectação de verbas para a saúde, como exigir do sector mais e melhores respostas para uma população com uma maior taxa de desemprego, maior precariedade na relação laboral e menores rendimentos. As desigualdades sociais poder-se-ão acentuar e com elas trazer para o campo da saúde problemas acrescidos, nomeadamente maiores dificuldades sentidas pelos grupos sociais mais vulneráveis em ultrapassar barreiras financeiras de acesso aos cuidados de saúde.

Por isso novas prioridades devem ser colocadas na agenda política.

Em primeiro lugar, o combate às desigualdades deve reforçar-se como uma prioridade política fundamental; aliás, os países que conseguem melhores resultados em saúde são os que apresentam menores desigualdades na oferta de cuidados - com os recursos humanos na saúde a ocupar um lugar central - e na procura de cuidados, com enfoque no controlo das listas de espera e na contenção do peso das despesas com medicamentos nos orçamentos familiares.

Em segundo lugar, é necessária uma abordagem da Saúde em todas as políticas que permita o desenvolvimento de intervenções focadas na identificação dos factores que influenciam a saúde das populações, no pressuposto de que a saúde das populações não é apenas o resultado da actividade do sector da saúde, mas é também determinada por variados factores socioeconómicos.

Em terceiro lugar, os serviços devem caminhar no sentido da integração e da continuidade de cuidados, de forma a permitir respostas mais adequadas aos problemas das pessoas, mas também melhores níveis de eficiência, quer na relação entre cuidados primários e hospitalares, quer na relação da saúde com o apoio social.

Em quarto lugar, o sistema de saúde exige melhor governação na saúde, no que respeita ao desempenho do sistema, à prestação de cuidados, à afectação dos recursos e ao respeito pelos direitos e legítimas expectativas das pessoas.

A transparência e a prestação de contas devem ser uma rotina dos governos, bem como a avaliação dos seus sistemas de saúde, a gestão da qualidade e a definição de incentivos com vista à melhoria do desempenho dos prestadores de cuidados de saúde.

Em quinto lugar, a formação de profissionais de saúde é um vector no desenvolvimento das políticas de saúde, devido ao elevado grau de especialização dos profissionais e por se tratar de um sector de mão-de-obra intensivo. Deve colocar-se, por isso, a questão da formação de recursos humanos para a saúde, reforçando a qualidade que se espera da prestação de um profissional de saúde e o respeito na relação com os doentes, mas também com o objectivo de melhorar o desempenho do sistema através da optimização do skill-mix.

Em sexto lugar, importa apoiar, de forma consistente, a disseminação das tecnologias de informação e comunicação na saúde, com particular destaque para a integração da informação dos utentes. As tecnologias de informação e comunicação podem oferecer importantes contributos para a coordenação e integração nos vários níveis de cuidados, nomeadamente no que respeita à comunicação entre as partes e, mais concretamente, no que respeita à comunicação da informação ao utente.

O grande desafio do sistema de saúde, em Portugal, é, pois, o de encontrar a combinação virtuosa entre continuar o ritmo de melhoria dos níveis de saúde registados nos últimos anos, com as reformas necessárias para garantir a manutenção de um serviço nacional de saúde financeiramente sustentável. Professor universitário

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Domingo, 10.01.10

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Tirem-me daqui

José Pacheco Pereira - Público, 9.1.2010

Ontem, o Parlamento tornou-se um ecossistema de todas as bizarrias da vida política portuguesaEle há dias em que de facto apetece dizer "tirem-me daqui". Quando o "daqui" é o Parlamento, um lugar a que pertenço, onde sou parte com gosto e interesse, um lugar que, contrariamente à opinião corrente, prezo exactamente por ser uma emanação do que de mais fundo existe na vida política democrática: a diferença de opiniões, os "partidos" em que nos dividimos, a representação imperfeita que seja, da turbulência que é a vida política em liberdade. É exactamente a imperfeição do Parlamento, que emana do seu carácter democrático, que sempre me interessou, porque só brilharia de perfeições se fosse totalitário ou apenas demagógico. A Assembleia Nacional salazarista era isso mesmo, tudo tão educado, tudo tão respeitador, tudo tão "vossas excelências" e "excelentíssimo senhor Presidente do Conselho", tudo sábios e doutores e comendadores e digníssimos representantes da nação, e nada de democracia. De todas as instituições políticas, mais nas suas fraquezas que nas suas forças, o Parlamento é o que é o Portugal político, não o Portugal dos políticos, mas o Portugal político que existe, tão próximo do comum dos cidadãos que estes o maltratam com a proximidade de uma coisa sua, de uma zanga de vizinhos, de uma querela conjugal, de uma valente discussão de café. Este aspecto igualitário que faz com o que o homem comum olhe de cima para o Parlamento torna muito árdua a função parlamentar, mas é, no fundo, normal. Há lá virtudes, mas o homem comum prefere vê-lo como o retrato dos seus vícios, e nas suas críticas demagógicas ao Parlamento presta-lhe a homenagem de o sentir mais seu do que alguma vez o admitirá.

 

Mas há dias em que o Parlamento falha completamente, quando se torna uma pequena côterie de iluminados que querem contra tudo e contra todos, com uma superficialidade gritante, aceitando uma retórica tão inflamada como vazia, decidindo quase a brincar coisas cujas consequências não são pensadas a sério, em grande parte por modismo e por subserviência ao politicamente correcto. Ontem, o Parlamento tornou-se um ecossistema de todas as bizarrias da vida política portuguesa, um lugar puramente superstrutural, fora do país, sem laços com qualquer realidade, vivendo de uma ficção entre a festa radical chic e os movimentos da extrema-esquerda tardia, que descobriu com o atraso de trinta anos as "causas fracturantes". Ontem, o Parlamento afastou-se de qualquer fundação democrática real e tornou-se apenas o espelho formal de "causas" ultraminoritárias, próprias de uma cultura alternativa, minoritária mesmo entre os homossexuais e lésbicas, a maioria dos quais ainda estão dentro do "armário", num contexto social e etário muito diferente dos jovens que comemoravam nas escadas da Assembleia o seu dia de glória mediática. Essa maioria invisível, essa sim é que vive mal e infeliz, e estes folclores não a ajudam porque contribuem para reforçar a homofobia e não a combatê-la.

 

O que mais me assusta é a irresponsabilidade de toda esta "festa". Os jornais e as televisões ardem de falsa indignação quando um deputado chama palhaço a outro ou o manda a qualquer lugar feio, mas não é isso que ajuda a estragar o Parlamento: é o momento em que este, sem sequer parar para pensar, se desvia do país para navegar causas absurdas com as quais gasta as melhores das suas palavras. Quando ouvia interiormente o "tirem-me daqui", foi quando assistia aos discursos grandiloquentes sobre o dia da "decência", o momento de "grande dignidade", a "reparação dos direitos ofendidos", a dádiva da "maior felicidade", com hipérbole sobre hipérbole, desde o primeiro-ministro aos Verdes, do Bloco de Esquerda ao discurso de puro insulto inflamado de um deputado da JS.

 

No meio disto tudo, o discurso de Vale de Almeida parecia um exemplo de moderação, apesar do seu tom de oração evangélica aos "irmãos e irmãs", que fazia chorar as pedras da calçada. E mesmo Assis, que é bem melhor do que a sua bancada, colocava entre parêntesis o seu pessimismo antropológico para saudar o "progresso" daquele dia, em que o Sol rasgava as trevas ignaras da Reacção. Parecia o Congresso a aprovar a Declaração da Independência. Só o PCP, embora votando junto com a esquerda, mantinha uma reserva e discrição envergonhada, eles que ainda mantêm o fio da corrente ligado à terra e sabem bem que tudo aquilo é mais folclore do que qualquer emancipação de um direito. E era tudo, no fundo, tão ridículo, que eu me perguntava: será que "eles" não dão por ela? Se calhar não.

 

As principais vítimas de tudo isto serão aqueles que amam ou desejam alguém do mesmo sexo, homossexuais e lébicas, mais os primeiros do que as segundas, que sitiados por uma sociedade que efactivamente os hostiliza e maltrata, serão vítimas de ver o seu amor ou o seu desejo ainda mais marginalizado pela exibição mais ou menos folclórica e "fracturante" de meia dúzia de intelectuais, pequenos e médios criadores e artistas, gente do mundo da comunicação social, das indústrias culturais, da moda, urbana, jovem, bem arranjada e chique, que em conjunto com alguns políticos, deram origem a uma pseudocausa, de um pseudodireito, o do casamento entre pessoas do mesmo sexo. O Partido Socialista frágil nas suas convicções e sem uma ideia consistente para o país, que cada vez menos conhece, abriu a brecha por onde o Bloco de Esquerda entrou. E não o fez só agora, já com a legislação sobre o divórcio se andam a meter nas andanças da engenharia social "fracturante", gerando uma sociedade mais fragilizada e menos justa para os fracos, como as mulheres divorciadas por carta e os homossexuais que não pertencem à beautiful people.

 

A ilusão de que o acesso ao casamento quebra uma barreira simbólica que ajuda a terminar com a homofobia efectivamente existente, o argumento mais hábil de Vale de Almeida, repousa numa ambiguidade e numa hipocrisia. Porque Vale de Almeida sabe perfeitamente que ele e muitos outros a última coisa que pretendem é casar-se, ou sequer imaginam no casamento qualquer virtude especial. Eles sabem bem que o casamento é algo dos "outros", não por causa da lei que os exclui, mas porque o que vem virtualmente no pacote do casamento, a instituição familiar convencional, os "deveres conjugais", não correspondem ao mesmo mundo cultural e emocional do seu entendimento da "causa" dos homossexuais e lésbicas. Para eles o que conta é a "causa", não o mérito da instituição a cujas portas pretendem aceder e por isso a questão é outra, bem longe da luta por um direito, é um ataque a uma determinada forma de viver em sociedade, que abominam e desprezam e tem pouco a ver com a sua cultura e a sua mundovisão. Sabem que ao romper na lei a relação do casamento com a família nuclear, que implica possibilidade real da procriação, erodem para outros um valor que não desejam.

 

É por isso que se trata de uma "luta", não por direitos, mas contra uma determinada forma de sociedade. E é também por isso que por todo o debate mostrou uma enorme intolerância num só sentido. "Fanáticos", "intolerantes", "retrógrados", "reaccionários", "aberrantes", foram palavras comuns, ecoando o que era o tom de muita comunicação social que tomou a causa como sua. "Tacanhos" eram todos os que se opunham ao casamento de pessoas do mesmo sexo. Não é "luta de classes", mas é kulturkampf.

 

O que irá acontecer nos próximos dias é previsível. Os primeiros casamentos de pessoas do mesmo sexo serão eventos "mediáticos". Vão lá estar todas as televisões. Haverá muita festa e depois, pouco a pouco, haverá cada vez menos casamentos e cada vez menos novidade. Apenas meia dúzia de pessoas se casará, o que mostrará como era vazia a força do direito ofendido. Mas será o folclore que "passará", uma espécie de travestismo perverso e o seu efeito será aumentar a intolerância homofóbica. Historiador

 

 

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Quarta-feira, 06.01.10

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JOÃO PEREIRA COUTINHO

Navegação ponto por ponto


Ponto G? Ele existe. Ele é visível. Alguém no laboratório deveria ter gritado: "Terra firme!"

 

QUANDO O assunto é amor, os italianos não têm rival. Aconteceu. Uns tempos atrás, representantes da espécie descobriram algo que deve ser partilhado e celebrado. Primeiro, a equipe do doutor Emmanuele Jannini descobriu que o ponto G existe mesmo. E, depois, acrescentou que ele não existe em todas as mulheres. Só em algumas. Paradoxal? Nem por isso. Mas vamos por partes. Ou, se preferirem, por pontos.

 

Caso não saibam, o ponto G era uma entidade mítica, como as fadas, os duendes ou os esquerdistas inteligentes, que os mapas anatômicos situavam, algures, entre a vagina e a uretra. Foi um alemão quem primeiro revelou o fato: em 1950, Ernst Gräfenberg, um ginecologista com longa experiência no assunto, explicava que certas mulheres eram capazes de atingir intensíssimos orgasmos vaginais, diferentes dos comuns orgasmos clitoriais.

 

Uma vez atingido esse ponto por machos talentosos e afortunados, as donzelas sentiriam um tremor de prazer com intensidade dez na escala Richter. Orgasmos múltiplos. Sincopados. Musicais. Dizem que dodecafônicos.

 

O problema estava em saber se o ponto G existia mesmo; se era possível encontrá-lo; e, uma vez encontrado, não perder o mapa do tesouro para a próxima viagem.

 

Durante 60 anos, em quartos anônimos de vilas ou cidades, organizaram-se expedições por montanhas de lençóis. Muitos partiram. Alguns regressaram para contar. E não houve macho com pretensões de sedutor que não tenha avançado pelo desconhecido, disposto a encontrar o cume e cravar nele a bandeira da consagração.

 

Não fui exceção na busca por esse tesouro. Tenho um nome a defender. Não como homem. Mas como português. E recordo os meus antepassados lusitanos, em busca de paragens míticas pelas águas dos descobrimentos e enfrentando monstros de todos os tamanhos e feitios. O ponto G era o meu caminho marítimo para a Índia. E eu era Vasco da Gama, explorando os mares do Sul, procurando dobrar o Cabo das Tormentas e vencer o Adamastor.

 

Eu sabia como navegar. Eu sabia a qualidade da minha embarcação. E tratava por tu as águas dos mares, como meus avós e bisavós, que deram novos mundos ao mundo, normalmente nove meses depois. Zarpava. Confiante. Mas o ponto G nem sempre surgia na linha distante do horizonte. A tripulação desesperava. "Ele não existe, capitão", diziam os meus homens, doridos e cansados depois de esforço épico, digno de um filme de Ben-Hur. Eu acendia um cigarro e tocava a sineta. Hora de recolher. "Talvez para a próxima", murmurava baixinho, como Ahab em busca da sua baleia.

 

Os italianos, que desde Marco Polo sempre estiveram à frente dos portugueses, publicaram na "New Scientist" a informação que faltava. Mulheres com orgasmos vaginais para um lado, mulheres sem orgasmos vaginais para o outro. E, no primeiro grupo, composto por 11 exemplares que juravam contato regular com a divindade, apuradas ultra-sonografias revelavam um espessamento do tecido uretrovaginal. Ponto G? Ele existe. Ele é visível. Alguém no laboratório deveria ter gritado: "Terra firme!".

 

Conseqüências da descoberta? Daqui por diante, as mulheres saberão que o ponto G não é mito nem recompensa; é questão de acaso na constituição orgânica, o que retira algum sentimento de culpa para donzelas insatisfeitas. E os homens estarão unidos nessa certeza. Para que viagens inúteis quando é possível investir em novas rotas e trajetos com benefícios para todas as partes?

 

Sejamos sinceros: a pílula libertou sexualmente as mulheres a partir da década de 60; a existência de um ponto G injustamente distribuído pela espécie liberta agora ambos os sexos em inícios do século 21. "Grazie, ragazzi."

 

in Folha de S.Paulo, 11.3.2008

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Segunda-feira, 04.01.10

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publicado por Shyznogud às 12:00 | link do post

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